Uma pesquisa internacional sugere que determinadas bactérias presentes na língua podem estar associadas à velocidade de resposta em testes cognitivos. Publicado em outubro de 2026 na revista PLOS ONE, o trabalho examinou a microbiota oral e o desempenho de 60 voluntários saudáveis no Reino Unido e na Bélgica. Os resultados são observacionais e não comprovam que microrganismos melhorem diretamente o raciocínio.
Como foi feito o estudo?
Participaram 30 pessoas de cada país, divididas entre adultos jovens e mais velhos. Os pesquisadores coletaram amostras da língua, saliva e sangue e realizaram testes de diferentes aspectos cognitivos, incluindo atenção, memória e reconhecimento de emoções. As análises compararam a presença relativa de espécies bacterianas ao tempo de resposta e à precisão nas tarefas.
Quais bactérias chamaram atenção?
A espécie Prevotella histicola apresentou associação com respostas mais rápidas em algumas avaliações nos dois países, embora não exatamente nas mesmas tarefas. Haemophilus parainfluenzae também esteve relacionada ao desempenho, mas as associações mudaram entre os grupos e os testes realizados.
Esses achados não significam que essas espécies aumentem a inteligência ou que sua presença permita prever o desempenho mental de uma pessoa.
Por que a microbiota oral pode ter relação com o cérebro?
Parte das bactérias da boca participa do metabolismo do nitrato obtido pela alimentação, contribuindo para a formação de nitrito e, por vias fisiológicas, de óxido nítrico. Essa molécula atua na regulação vascular, o que desperta interesse científico sobre possíveis relações entre microbiota, circulação e funções cerebrais.
O estudo, entretanto, não demonstrou que essa via seja a responsável pelas associações registradas. A hipótese precisa ser avaliada em estudos específicos.
O que a pesquisa não permite concluir?
A amostra pequena e o desenho observacional não permitem estabelecer causalidade. Não há evidência de que mudar a microbiota da língua, tomar probióticos ou consumir determinados produtos aumente a rapidez do pensamento, previna demência ou trate doenças neurológicas.
Fatores como idade, hábitos de saúde, sono e características individuais também podem influenciar os testes cognitivos e a composição da microbiota.
Qual é o próximo passo?
Novos estudos, com grupos maiores e acompanhamento ao longo do tempo, precisam verificar se as associações se repetem e se existe um mecanismo biológico relevante. Por enquanto, os resultados ampliam o conhecimento sobre o possível eixo boca-cérebro, sem estabelecer recomendações clínicas.
Fontes e transparência
Pesquisa original: L'Heureux e colaboradores. Oral microbiome signatures of ageing and cognitive function across distinct geographical cohorts. PLOS ONE, 5 de outubro de 2026. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0359559
Pauta jornalística: Metrópoles, 11 de outubro de 2026: https://www.metropoles.com/saude/bacterias-da-boca-podem-estar-ligadas-a-velocidade-do-raciocinio
Texto original do Eu Vou Ser Doutor, com base em fontes publicadas. Achados preliminares; associação não representa causalidade.
Acelere sua aprovação com método.
A Mentoria Aprovado é o ecossistema estratégico definitivo para quem busca o topo da carreira médica.
